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  • Shantideva

Abuso no Tantra: qual deveria ser o papel do terapeuta tântrico

Temos recebido notícias de abusos e desvios de comportamento ético e profissional cometidos por pessoas que se intitulam "terapeutas tântricos". Infelizmente, estes abusos trazem desdobramentos graves para as pessoas que são vítimas de tais situações, geralmente mulheres.


É inaceitável que uma pessoa, em nome do Tantra, utilize das mesmas armadilhas e modos de pensar e agir da sociedade patriarcal para continuar abusando, agredindo, invadindo e traumatizando o feminino.


É também inaceitável que pessoas usem o nome do Tantra para oferecer experiências que mais se parecem com "favores sexuais", ou seja, oferecer sessões que deveriam ser terapêuticas, no sentido da ressignificação e transformação de padrões de resposta corporal, emocional e mental, mas no fundo são apenas maneiras "gourmetizadas" de servir aos caprichos egóicos de quem as procura.


Veja o que diz a ABRATANTRA: "A Terapêutica Tântrica se caracteriza pela utilização com finalidade terapêutica de um conjunto de técnicas corporais, energéticas, meditativas, psicoemocionais e de práticas integrativas. A Terapêutica Tântrica não envolve a interação sexual entre terapeuta e interagente."


Uma parte significativa destas pessoas desalinhadas com os preceitos do Tantra e do Neotantra, auto-intituladas "terapeutas tântricos", na verdade fizeram apenas um Curso Livre de Massagem Tântrica, e decidiram que já podem atuar profissionalmente com esta abordagem terapêutica.


Cursos livres de massagem tântrica têm finalidade recreativa, ou seja, são voltados para o aprendizado da massagem tântrica para uso em seu desenvolvimento pessoal e nas relações afetivas.


Os cursos livres de massagem tântrica não ensinam os aspectos fundamentais para a atuação de um terapeuta tântrico, algo que acontece apenas em cursos de formação para terapeutas tântricos.


Basta dizer que a ABRATANTRA não reconhece cursos livres como requisito para filiação de um terapeuta tântrico a seus quadros.


A indicação é fazer um curso de Formação para Terapeutas Tântricos. Neste curso, levamos os "futuros terapeutas" a processos pessoais onde vivenciam intensas e repetidas experiências de movimentação energética e hormonal. O corpo orgástico do "futuro terapeuta" experimenta um desenvolvimento absolutamente curativo e harmonizador.



Sempre dizemos aos participantes:

MAIS DO QUE APRENDER TÉCNICAS, UM PROFISSIONAL EM TERAPÊUTICA TÂNTRICA PRECISA TER SEU CORPO LIBERADO DAS PRINCIPAIS NEUROSES SEXUAIS. Para isso, ela/ele precisa experimentar espaços internos expandidos, precisa visitar os terrenos mais elevados da experiência energética e sensorial. Caso contrário, a chance desta pessoa se "misturar" aos processos dos clientes será altíssima.


Como costumamos dizer, um terapeuta tântrico não inspira ninguém a ir a um lugar que não tenha ele próprio experimentado em sua caminhada.


Ou, como disse Alexander Lowen: "O terapeuta corporal funciona como um guia ou navegador, cujo treino levou-o a reconhecer perigos e a aprender como enfrentá-los; É necessário que tenha feito a sua viagem pessoal, podendo construir um senso sólido de si mesmo. Tem que estar suficientemente preso à realidade de sua própria pessoa para que possa servir."


Terapeutas Tântricos existem para ajudar na cura de traumas, e é inadmissível que atuem gerando novos traumas nas pessoas que atendem.


Terapeutas Tântricos não fazem sexo com seus clientes, mesmo se for um pedido ou iniciativa que parta do cliente, afinal, terapeutas tântricos sabem que a energia se movimenta e, assim, pode ativar certos padrões condicionados de resposta. Um dos padrões mais fortes que as pessoas trazem para os atendimentos é a vinculação do prazer que sente ao que o outro diz ou faz, ao invés de se apropriar do prazer como sendo um recurso interno e abundante. Cabe a nós, terapeutas tântricos, ajudá-las a quebrar tais relações de dependência, ao invés de alimentá-las.


Terapeutas Tântricos não fazem favores sexuais, pois isso apenas alimenta as necessidades egóicas de encontrar fora aquilo que ativa o que está dentro. No Tantra, seguimos pelo caminho inverso, ativamos o que está dentro (a pulsação que emerge das entranhas) para que repercuta no que está fora (a maneira de interagir nas relações afetivas, profissionais, visão de mundo, etc.).


Terapeutas Tântricos não cruzam limites éticos da atuação profissional, sabendo como assentar na "cadeira do terapeuta". Sugerimos consultarem o código ético da ABRATANTRA, onde esta temática é explorada com profundidade.


Terapeutas Tântricos conhecem e sabem lidar com os aspectos da transferência terapêutica, que é a atribuição por parte do cliente de "papéis sociais" à figura do terapeuta, o que influencia os comportamentos deste cliente. Além disso, sabem também da existência e como lidar com os aspectos da contra-transferência, quando as emoções vivenciadas pelo terapeuta são consideradas reativas às do interagente, o que influencia o comportamento do terapeuta.


Por fim, Terapeutas Tântricos jamais atuam em favor de seu próprio prazer. Quando este prazer do terapeuta se manifesta em uma sessão, ela ou ele sabe como direcioná-lo para uma expressão saudável, ética e desvinculada da pessoa da(o) interagente.


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