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Anorgasmia Feminina - Parte 1

  • Foto do escritor: Shantideva
    Shantideva
  • 3 de set.
  • 5 min de leitura

A anorgasmia feminina é uma das mais comuns angústias sexuais que as mulheres enfrentam. Trata-se da dificuldade ou inabilidade de experimentar orgasmos em suas práticas sexuais, sozinha ou acompanhada. Apesar de ser bastante comum, poucas mulheres se sentem confortáveis em falar sobre isso ou mesmo buscar ajuda profissional, seja por medo de constrangimento ou a mitos. 


O que buscamos fazer neste texto é jogar luz sobre o assunto, para que as mulheres possam reconhecer a importância de se olhar para essa questão e buscar ajuda para restaurar a expressividade energética e sensorial. 


O que é a Anorgasmia?


Anorgasmia é o termo médico para designar a dificuldade em atingir o orgasmo. Nas mulheres, significa que o orgasmo ocorre tardiamente, com pouca frequência ou, por vezes, nem sequer ocorre, apesar de haver condições favoráveis para que ele ocorra, como estimulação sexual e excitação adequadas, ambiente favorável, etc. Um nome mais científico para a anorgasmia é o distúrbio orgástico feminino. 


Geralmente a anorgasmia é classificada como sendo primária ou secundária. A anorgasmia primária ocorre quando a pessoa manifesta ausência total do orgasmo ao longo da vida, seja com auto-estimulação ou com práticas sexuais em relação com outra pessoa. A anorgasmia secundária é uma classificação que considera que a pessoa já experimentou orgasmos no passado, mas passou a ter esta dificuldade com o passar do tempo, seja por mudanças na vida (parto, medicamentos, problemas na relação afetiva) ou sem alguma causa aparente.


Uma segunda classificação pode ser feita considerando a incidência da anorgasmia, que é a anorgasmia situacional ou generalizada. Na anorgasmia situacional, a pessoa consegue atingir picos orgásticos em algumas situações específicas. Por exemplo, é comum mulheres conseguirem ter orgasmos apenas se masturbando, mas nunca experimentá-los quando estão com mais alguém; ou experimentarem o orgasmo com estímulos orais mas não com a penetração. Na anorgasmia generalizada, o distúrbio ocorre independente da prática que está sendo experimentada ou da presença ou não de mais alguém na experiência.


Os distúrbios do orgasmo feminino são muito comuns entre as mulheres. Um grande número de pesquisas científicas se debruçam sobre o tema, e apontam que aproximadamente 1 em cada 10 mulheres nunca experimentou um orgasmo em suas vidas - anorgasmia primária. Estas pesquisas mostram que aproximadamente 30% das mulheres apresentam dificuldades recorrentes em experimentar orgasmos - anorgasmia secundária - e que este número tende a ser maior em países latino americanos e asiáticos.


Quando se considera a incidência de anorgasmia nas práticas de penetração vaginal, estes números sobem para aproximadamente 50% das mulheres, e ficam ainda mais altos - cerca de 75% - quando não acontece nenhum tipo de estimulação clitoriana simultânea à penetração.


A título de comparação, a incidência de anorgasmia no caso de pessoas com pênis não ultrapassa 2% desta população. 


Sinais da Existência da Anorgasmia


Os sinais de que uma pessoa está experimentando um quadro de anorgasmia são vários: 

  • Ausência de orgasmo: a pessoa não atinge o clímax mesmo com desejo, excitação e estímulo sexual adequados, seja durante relação sexual, masturbação ou outros tipos de estímulo.

  • Orgasmo atrasado ou difícil: a resposta orgásmica demora muito mais do que o esperado, ou exige um esforço excessivo, gerando frustração.

  • Excitação sem descarga orgástica: o corpo apresenta sinais de excitação (lubrificação, ereção clitoriana, aumento da frequência cardíaca), mas o orgasmo não acontece.

  • Sensação de bloqueio: a pessoa pode relatar sentir que está quase experimentando um pico orgástico, mas é incapaz de atravessar a barreira final para o orgasmo.

  • Impactos emocionais: sentimentos de frustração, ansiedade, vergonha, baixa autoestima ou desmotivação em relação à vida sexual podem acompanhar a experiência.

  • Repercussões no relacionamento: evitação de intimidade, comunicação tensa sobre sexo ou medo de decepcionar os parceiros.


Fatores que Provocam a Anorgasmia


Essa condição pode estar associada com diversos fatores, que podem ser classificados como psicológicos e emocionais ou corporais e fisiológicos. Vamos a alguns deles:

  • Ansiedade de desempenho, que tem a ver com o medo de não corresponder a expectativas dos parceiros, sejam expectativas explícitas ou projeções da mente

  • Crenças limitantes a respeito do prazer, corpo e sexualidade, advindas de educação sexual repressiva, culpa, vergonha e repressão ao prazer. Geralmente surgem no contexto familiar ou religioso, quando não em ambos.

  • Experiências traumáticas, como episódios de abuso sexual, violência doméstica ou famlitar ou experiências sexuais negativas, especialmente as primeiras experiências na vida da pessoa, como ser vista se masturbando, experiencias sexuais incômodas, parceiros pouco afetivos ou cuidadosos, etc.

  • Questões com autoestima, dificuldade em aceitar e exibir o próprio corpo, dificuldade em conseguir relaxar em quem você é nos encontros sexuais

  • Quadros de depressão, estresse e ansiedade, pois são estados emocionais que afetam a movimentação energética e criam bloqueios para os fluxos e conexão com o prazer 

  • Questões no relacionamento afetivo, como dificuldade de comunicação, falta de confiança nos parceiros, conflitos, rotinas previsíveis, automatizadas e desconectadas nas práticas sexuais, etc.

  • Alterações hormonais que podem ter a ver com fase da vida, como menopausa, pós parto, ou com alterações fisiológicas, como disfunções da tireóide, níveis baixos de estrogênio ou testosterona, etc.

  • Alterações provocadas por medicamentos, como antidepressivos, anti hipertensivos, etc.

  • Presença de certas doenças crônicas, como diabetes, doenças neurológicas ou cardiovasculares, esclerose múltipla, etc.

  • Alterações anatômicas que afetam a dinâmica corporal e provocam dores ou incômodos, especialmente as ginecológicas ou pélvicas.

  • Distúrbios no assoalho pélvico, como musculatura hipertônica, por exemplo.

  • Estilo de vida sedentário, cansaço generalizado, consumo excessivo de drogas ou álcool.

  • Desconexão com o próprio corpo, o que leva a baixa percepção das próprias sensações, dificuldades em relaxar e estar em estado de presença no corpo.


De modo geral, a anorgasmia está relacionada com a combinação de mais de um fator, não sendo resultado de apenas um deles. Por este motivo, é importante que se tenha um olhar mais integrativo e abrangente sobre tudo o que está envolvido na experiência de vida da pessoa, para que seja possível considerar todas as possibilidades que estejam afetando a resposta saudável e natural do corpo. 


Opções de tratamento disponíveis


Felizmente o contexto social atual permite com muito mais facilidade que o assunto anorgasmia seja trazido à luz, para ajudar as mulheres a se conscientizarem que elas podem e merecem experimentar mais do seu potencial de prazer e expressão. Se as gerações anteriores atravessaram caladas as frustrações e os sentimentos de inadequação provocados pela anorgasmia, hoje cresce exponencialmente o número de mulheres que buscam ajuda, seja no campo da medicina, da psicologia ou das terapias corporais.


Hoje também é sabido que normalmente uma combinação de opções de tratamento provoca melhores resultados do que apenas uma delas isoladamente. Por exemplo, sabe-se que a combinação entre psicoterapia e trabalho corporal e de sexualidade somática são bem mais potentes do que uma delas isoladamente.


Faz sentido iniciar olhando para as causas físicas. Se o seu antidepressivo estiver causando o problema, converse com seu médico sobre alternativas ou mudanças na dosagem. Se você começar a controlar o diabetes, distúrbios da tireoide ou problemas no assoalho pélvico, poderá restaurar sua sensibilidade normal ou se aproximar da normalidade de resposta corporal. Para mulheres cuja anorgasmia é causada pela menopausa ou deficiências hormonais, a terapia hormonal pode ajudar. Terapia com estrogênio – sistêmica por meio de comprimidos/adesivos ou localizada por meio de cremes vaginais ou anéis.


É muito importante considerar o trabalho corporal para o tratamento da anorgasmia. No campo da Sexualidade Somática, atuamos com treinamentos de auto toque consciente, combinando o toque com técnicas de respiração consciente. No campo da terapêutica tântrica, atuamos com a abertura de dentro para fora do corpo e do sistema de energia, para restaurar a expressividade e desbloquear os percursos da energia sexual pelo corpo, provocando transformações significativas e definitivas.


Mas este será o tema da parte 2 deste texto!

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