Vício em Pornografia: Sair da Tela e Resgatar o Corpo a partir do Tantra
- Shantideva
- há 6 dias
- 5 min de leitura
Acho que não é novidade para ninguém que vivemos em tempos de hiperestimulação. Somos o tempo todo bombardeados por estímulos diversos, e a sexualidade não passaria ilesa deste processo. O fato do acesso a conteúdos ter sido facilitado pela internet tornou a pornografia um item de consumo muito mais disponível, barato e, consequentemente, bastante utlizado.
Afinal, as pessoas estão estressadas, ansiosas, adoecidas, sobrecarregadas, e a busca por algo que traga alívio e prazer e seja de fácil alcance se torna muito atrativa.
No entanto, quando esse consumo deixa de ser uma escolha consciente e passa a ser compulsivo, repetitivo e dissociado, estamos diante do que pode ser chamado de vício em pornografia.
O vício em pornografia é um sintoma moderno de uma desconexão profunda com o próprio corpo. Trata-se de um fenômeno emocional, neurológico e corporal.
Neste artigo, vamos explorar o que acontece com a sua bioeletricidade quando o prazer se torna apenas visual e como a Terapêutica Tântrica pode ser a chave para "reiniciar" o seu sistema.
O que caracteriza o vício em pornografia?
O vício em pornografia não está necessariamente ligado à frequência, mas à relação que a pessoa estabelece com o consumo. Alguns sinais comuns incluem:
Uso compulsivo, mesmo quando há intenção de parar
Dificuldade de excitação ou prazer em encontros reais
Sensação de vazio, culpa ou vergonha após o consumo
Escalada de estímulos (conteúdos cada vez mais intensos ou específicos)
Uso da pornografia como anestesia emocional (para lidar com ansiedade, solidão, frustração ou tédio)
Nesse sentido, a pornografia deixa de ser uma expressão da sexualidade saudável e passa a funcionar como um regulador emocional artificial.
Principais causas: por que a pornografia se torna viciante?
Do ponto de vista neurobiológico, a pornografia ativa intensamente o sistema de recompensa do cérebro, liberando grandes quantidades de dopamina. Com o tempo, o cérebro se condiciona a buscar estímulos rápidos, previsíveis e cada vez mais intensos, reduzindo a capacidade de sentir prazer em experiências mais sutis, lentas e relacionais.
Mas é preciso olhar para questões mais profundas do que a química cerebral.
Normalmente, a pessoa viciada em pornografia experimentou histórias de repressão ou vergonha sexual, e tem dificuldade de sentir e até mesmo de aceitar o seu corpo. Muitas trazem feridas abertas da intimidade, como o medo do contato real, da vulnerabilidade e da exposição emocional. Outras experimentaram situações de abuso, invasão, negligência e traumas sexuais.
Ou seja, o público que se vicia em pornografia tende a ser formado por pessoas que possuem gestalts abertas em relação à sexualidade, intimidade, prazer, entrega. Podemos dizer que são pessoas que temem a intimidade.
Se o prazer expande e transforma, por que isso não acontece ao assistir a pornografia?
Para responder a esta pergunta, precisamos entender que o prazer experimentado na pornografia, quando consumida de formas inadequadas, produz aquilo que chamamos de Dissociação Somática: enquanto a mente está a mil com imagens, o corpo físico está estático, tenso e com a respiração presa. Cria-se um abismo entre o que você vê e o que você sente. Com isso, a resposta corporal não acontece de maneira natural e espontânea, apesar que provavelmente orgasmos serão experimentados. O problema é que serão orgasmos contidos, baseados em esforço e controle.
Na visão do Tantra, a energia sexual é preciosa. No consumo compulsivo e com esforço, essa energia não circula, não nutre os centros energéticos superiores e não se expande; ela é apenas "descarregada" rapidamente através de uma ejaculação ou orgasmo mecânico, gerando cansaço e vazio.
As Consequências do Vìcio em Pornografia
O impacto vai muito além de sentir um prazer momentâneo e depois experimentar sentimentos de culpa ou inadequação. Ele se manifesta na qualidade de vida e nos relacionamentos:
Disfunções Sexuais: Muitos homens sofrem de Disfunções sexuais, como a dificuldade de ereção ou transtornos de ejaculação. O corpo foi condicionado a responder a estímulos que são frenéticos, baseados em ficção, e perde a habilidade em responder a toques reais, cheiros reais, além de se ressentir dos tempos mais longos da prática real.
Dessensibilização: O toque sutil perde a graça. A pessoa precisa de estímulos cada vez mais fortes e mecânicos para sentir prazer.
Isolamento Afetivo: A vergonha e o segredo criam barreiras emocionais, dificultando a intimidade real e a vulnerabilidade com parceiros.
No final das contas, estamos falando de perder o contato com o outro e também com o próprio corpo e com sua capacidade de sentir.
A Terapêutica Tântrica e Somática como Caminho de Cura
A boa notícia é que o cérebro é neuroplástico e o corpo tem uma sabedoria ancestral de autorregulação. A cura não vem apenas da "abstinência mental", mas principalmente da reeducação sensorial. É aqui que o nosso trabalho entra.
1. Do Visual para o Sensorial (Interocepção)
O primeiro passo é tirar o foco dos olhos e trazê-lo para a pele. Através da Massagem Tântrica, ensinamos o sistema nervoso a valorizar o toque sutil. O corpo reaprende que o prazer não é uma "corrida para o orgasmo", mas um estado de presença expandida.
2. Respiração Consciente e Desbloqueio
Quem consome pornografia geralmente respira pouco ou de forma curta. Utilizamos técnicas de respiração consciente para:
Oxigenar os tecidos.
Mover a energia estagnada na região pélvica.
Distribuir a bioeletricidade para o resto do corpo, evitando a necessidade de "descarga" imediata.
3. Meditações Ativas e Vibração
O corpo viciado está "travado" em padrões rígidos. As Meditações Ativas e exercícios vibracionais (TRE e bioenergética) ajudam a soltar a couraça muscular, liberando tensões crônicas e emoções reprimidas que, muitas vezes, são o gatilho para a busca da pornografia (fuga emocional).
4. Ressignificando o Orgasmo
No Tantra, separamos a ejaculação do orgasmo. Ensinamos a sustentar altos níveis de prazer sem a necessidade compulsiva de ejacular. Isso devolve ao indivíduo a soberania sobre sua própria energia, transformando a sexualidade em uma fonte de vitalidade, não de esgotamento.
Um Convite ao Retorno
Superar o vício em pornografia não é apenas parar de consumir imagens; é aprender a habitar o próprio corpo, tolerar sensações, emoções e desejos sem fugir deles. É transformar a sexualidade de um ato automático em uma experiência consciente.
Quando o prazer deixa de ser algo que acontece na tela e passa a acontecer no corpo vivo, no agora, no encontro real, a pornografia perde sua força. Não por repressão, mas porque já não é necessária.
Deixar a pornografia não é sobre "perder" um prazer, é sobre ganhar a realidade. É sobre voltar a sentir o cheiro, o calor, a textura e a conexão que só o encontro real proporciona.
Vamos repetir algo muito importante: SEU CORPO PODE SER REQUALIFICADO, restaurando a habilidade de responder sem a necessidade do estímulo psicogênico e ficcional da pornografia!








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